Região têm 108 pessoas com mais de 100 anos, diz o IBGE.

25/10/2010 14:46

Graziela Delalibera

http://www.diarioweb.com.br/novoportal/Noticias/Cidades/Imagem.ashx?img=http://www.diarioweb.com.br/novoportal/Admin/Files/Banco-Imagens/25312.jpg&w=240&h=167&dist=tLuíza Rodrigues Pereira, 104 anos, trabalhou duro como lavadeira boa parte da vida. Mulher forte e independente demais para a sua época, conseguiu com o próprio suor comprar um terreno no Parque Estoril, zona sul de Rio Preto, onde ergueu o seu bem mais precioso - a casa onde vive há 40 anos. É lá onde ela vive apenas na companhia do cachorro vira-lata preto e branco, o Fiel, que faz jus ao nome e não desgruda da dona.

Luíza é uma das 108 pessoas de Rio Preto e região que conseguiram ultrapassar a barreira dos 100 anos. O índice é com base nos dados do Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS) sobre o número de pessoas que recebem algum benefício na região e que está nessa faixa etária. Em Rio Preto, além de Luíza, são mais 24 pessoas.

Nascida em Gonzaga de Campos, numa família de nove irmãos, a lavadeira aprendeu desde criança o que era trabalhar. O pai morreu quando ela tinha 7 anos. Chegou a ter proposta de casamento, mas nunca quis deixar a mãe. Os familiares que restam estão espalhados. De vez em quando, recebe a visita de uma sobrinha que mora em Potirendaba. Para viver, ela conta com o auxílio da vizinhança.

Com as unhas pintadas de cor de rosa, Luíza recebeu a reportagem do Diário na tarde da última terça-feira. Estava feliz por ter visitas. Abraços e beijos não faltaram à equipe de reportagem. “Enxergo bem, nunca usei óculos”, fala a mulher, orgulhosa. Na hora de subir os degraus e posar em pé para foto, dispensa ajuda. Vai até o quintal e mostra as bananeiras que ela mesma plantou. Adora frutas.

A conversa acaba revelando outros segredos: Luíza fuma um maço de cigarros por dia, gosta de tomar vinho e quando vai receber a aposentadoria na cidade não dispensa uma ida ao Mercado Municipal para comer um pastel. Há quatro meses, teve dengue e ficou internada um dia. O residente, ao examiná-la, não poupou a brincadeira - disse que Luíza é mutante, que sua saúde não tem explicação.

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Seu João Batista Arali, 105, não aparentava ser o centenário que a reportagem procurava quando apareceu na área da sua casa. De bermudas e camisa, de início ele logo soltou uma brincadeira. “Sempre perguntam qual o meu segredo. O segredo é que ainda não morri”, fala o aposentado.

Seu João nasceu em Monte Alto em uma família de oito irmãos. Com sete filhos, 21 netos, 24 bisnetos e três tataranetos, ficou viúvo de dona Amália em 1976. A mulher morreu aos 69 anos. Hoje ele vive em uma rua tranquila na Vila Ercília e passa o tempo vendo TV e ouvindo rádio. “Gosto de ver futebol. Sou santista, mas depois que o Pelé saiu perdeu a graça”, sentencia o centenário, que se aposentou trabalhando numa algodoeira.

"Fazia de tudo lá, o que precisasse.” Seu João Batista come o que tem vontade, e o único remédio que toma é para pressão, há seis anos. Nunca fumou. Na sala da casa onde vive com a família do filho Waldemar, 69, mostra as fotos de quando era moço. Só reclama das pernas, que “já estão incomodando um pouco.”

Viagem de navio

Testemunha da 1ª Guerra Mundial, dona Rosa Saranz Della Libera, comemorou os 100 anos bem longe da Itália, onde nasceu. No dia 4 de setembro, parentes e amigos se reuniram para celebrar a vida de dona Rosina, como é chamada, em um salão de festas em Catanduva. A perspicácia da centenária, que sempre foi dona de casa e lavava roupa para ajudar nas despesas, impressiona. “Ainda lavo uma louça, arrumo a cama, passo umas peças de roupa”, conta a mulher italiana, que chegou ao Brasil com 23 anos.

Da viagem de navio, traz boas recordações. “Foi muito bonita, doze dias vendo o mar. Vim que foi uma beleza. Teve uma mulher lá que passou muito mal e deu trabalho, coitada.” No Brasil, o pai de dona Rosina foi trabalhar na lavoura de café na região de Catanduva. Ela se casou aos 27 anos e criou seis filhos. Ficou viúva em 1980. José Della Libera, o marido, morreu com 80 anos.

Lúcida, ela conta 18 netos e 23 bisnetos. Come de tudo, dorme bem. Acorda religiosamente às 6h30. A saúde é de ferro. “Não tenho nada, estou boa, nem preciso tomar remédio”, fala, ao telefone. A audição também está melhor que a de muitos jovens, pois a centenária ouve todas as perguntas claramente, sem precisar repetir.

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A expectativa de vida do brasileiro deu um salto nas últimas cinco décadas, de 45,9 anos em 1950 para 73,1 em 2009, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e estatística (IBGE).

Embora a medicina tenha contribuído para o aumento da expectaviva de vida e a população esteja mais preocupada com a qualidade para alcançar a longevidade, para o economista Hipólito Martins Filho, as pessoas não têm se preparado financeiramente para viver tantos anos. Enquanto a Previdência Social deixa a desejar, o especialista observa que ainda são poucos os que têm acesso à previdência privada, ou que planejam uma aposentadoria tranquila poupando.

Martins Filho lembra que a qualidade de vida do município favorece a longevidade da população e cita o desempenho de Rio Preto no Índice de Desenvolvimento Municipal (IDM), elaborado pela Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan). O índice vai de 0 a 1, e quanto mais próximo de 1 melhor é o desempenho.

Este ano, Rio Preto foi o 18º colocado entre os municípios brasileiros, com índice de 0,8945. Para chegar ao resultado, são calculados: emprego e renda, educação e saúde. Rio Preto foi a quarta melhor cidade pontuada na área de saúde, com 0,9379.

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Convívio familiar e social, ocupação, descanso diário com uma boa noite de sono, hobby como gratificação e fé. Essa é a receita para manter uma vida mentalmente saudável e aumentar as chances de alcançar a longevidade, segundo o nutrólogo e geriatra Olímpio Passos Corrêa. “Temos um código genético que nos permite passar dos 100 anos, mas desde que se leve a vida em condições ótimas”, explica o especialista.

O médico afirma que com todo esse conjunto, somado à atividade física e alimentação adequada, é possível ter uma vida um pouco mais longa. Nessa linha, o especialista considera que comunidades que vivem em condições mais rústicas têm chances de viver por mais tempo. “Onde as pessoas trabalham de forma braçal e se alimentam de forma natural as pessoas acabam tendo uma vida mais longa.”

Assim, para não ser o idoso que arrasta os pés mas o que caminha com firmeza, a atividade física deve estar presente na rotina das pessoas. Com relação à alimentação, diz que “o ideal é ir mais à feira e menos no supermercado.” Se ocupação for um dos segredos da longevidade, o construtor e estudioso da história de Rio Preto Oswaldo Tonello, 103 anos, tem ainda muitos anos pela frente.

Além de acompanhar o filho Pedro, 45, engenheiro, em suas viagens, Tonello tem a leitura e a escrita como companheiras. Com dois livros publicados sobre Rio Preto, ele terminou de revisar o terceiro, “Jesus é o Seu Nome”, que será sobre os ensinamentos de Jesus Cristo. Ele escreve a mão e o filho passa suas ideias para o computador. Além da cabeça funcionando o tempo todo, Tonello fala que nunca bebeu nem fumou.

Na alimentação, gosta de “tudo o que é bom”. Nascido em Ribeirão Preto em uma família de doze filhos, Tonello casou tarde, aos 50 anos, porque primeiro quis encaminhar os irmãos. Da união com Delarci, 80, veio o único filho. Ela era costureira e morreu aos 80 anos. “Vestia as noivas de Rio Preto”, diz o construtor.

Fonte: diarioweb.com.br



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